Quem podem ser os padrinhos de casamento católico? Entenda requisitos, função e critérios segundo a Igreja e a tradição no Brasil.
Quem podem ser os padrinhos de casamento católico? Entenda requisitos, função e critérios segundo a Igreja e a tradição no Brasil.

Padrinhos de casamento católico: quem pode ser e qual a função

Quando alguém se prepara para o casamento, uma das primeiras perguntas que surgem é: “Quem pode ser os padrinhos de casamento católico?”

E logo depois outra:

“O padrinho de casamento católico precisa cumprir alguma regra?”

Essas dúvidas aparecem porque a expressão padrinhos de casamento católico envolve duas realidades que hoje quase ninguém distingue:

  1. a função sacramental e canônica — isto é, quem testemunha o sacramento do Matrimônio dentro da Igreja;

  2. a função social e cultural — isto é, quem participa do casamento como padrinho ou madrinha no sentido brasileiro (ajuda, protagonismo, honra familiar, etc.).

E é justamente essa mistura que cria as confusões mais comuns, como:

  • “O padrinho tem que ser casado na Igreja?”

  • “Pode ser padrinho evangélico?”

  • “Pode ser padrinho divorciado?”

  • “O padrinho de casamento tem que ser o mesmo da Crisma?”

  • “Pode ser padrinho só no civil?”

  • “Padrinho tem obrigação financeira?”

  • “Quantos padrinhos a Igreja permite?”

  • “Casamento civil e religioso exigem o mesmo tipo de testemunha?”

  • “A Igreja escolhe quem pode ser padrinho?”

  • “Padrinho tem função espiritual?”

Este artigo vai resolver tudo isso de forma definitiva, com base:

na Bíblia Sagrada Católica,
no Catecismo da Igreja Católica,
✔ no Código de Direito Canônico,
✔ no Ordo celebrandi Matrimonium (rito oficial),
✔ e na tradição cultural brasileira.

Quem podem ser os padrinhos de casamento católico? Entenda requisitos, função e critérios segundo a Igreja e a tradição no Brasil.
Quem podem ser os padrinhos de casamento católico? Entenda requisitos, função e critérios segundo a Igreja e a tradição no Brasil.

2. Antes de tudo: o casamento católico é um sacramento

Conteúdo do Texto

Para entender a figura do padrinho no casamento, é necessário entender antes o que é o Matrimônio.

Ao contrário do que muitos pensam, o casamento não é apenas um contrato civil, mas um sacramento instituído por Cristo, ordenado à salvação dos cônjuges e à santificação da família.

O Catecismo afirma:

“A aliança matrimonial, pela qual um homem e uma mulher constituem entre si uma comunhão da vida inteira, foi elevada por Cristo à dignidade de sacramento.”
(CIC, 1601)

E ainda:

“O Matrimônio tem por finalidade o bem dos esposos e a geração e educação da prole.”
(CIC, 1601)

Portanto:

➡ o casamento tem uma finalidade espiritual, natural e social,
➡ e por isso a Igreja estabelece normas para sua celebração.

O Código de Direito Canônico define que:

“Os fiéis cristãos têm o direito de contraírem matrimônio.”
(Cân. 1058)

Mas esse direito é exercido diante da Igreja, que tutela a validade e a sacramentalidade.

Aprenda com Padre pio a ter um casamento realmente feliz.


3. A figura dos padrinhos dentro da Igreja: o que eles são (e o que não são)

Na liturgia do casamento católico, os padrinhos exercem uma função muito específica: são testemunhas do consentimento matrimonial.

O Direito Canônico afirma:

“São válidos apenas os matrimônios celebrados na presença do Ordinário, do pároco ou de um sacerdote ou diácono delegado para isso, e perante duas testemunhas.”
(Cân. 1108 §1)

Essas duas testemunhas são, na cultura brasileira, chamadas de padrinhos de casamento.

Do ponto de vista sacramental:

✔ são testemunhas do consentimento
✔ representam a comunidade eclesial
✔ atestam que o casamento foi celebrado de forma válida
✔ assistem ao ato litúrgico
✔ não substituem o sacerdote ou diácono
✔ não têm função parental ou tutelar

Aqui já corrigimos uma confusão comum: os padrinhos não são pais espirituais, como no Batismo ou na Crisma.

Sua função é testemunhal e jurídica, e não catequética.

Aprenda: Como restaurar um casamento católico dado como perdido


4. A diferença entre “padrinho sacramental” e “padrinho social”

No Brasil, existe um hábito muito forte de multiplicar padrinhos e madrinhas por razões culturais, familiares e sociais.

Por isso, precisamos fazer uma distinção essencial:

(A) Padrinhos sacramentais (eclesiais)

São aqueles que o Direito Canônico pede:

  • duas testemunhas (uma de cada lado ou não)

  • exigência jurídica para validar a forma canônica

(B) Padrinhos sociais (culturais)

São aqueles que os noivos escolhem para:

  • ajudar financeiramente

  • compor o altar

  • representar vínculos sociais

  • prestigiar a família

  • participar da festa

  • fortalecer laços

Esses não têm função sacramental, e sim cultural.

Ambos coexistem no Brasil, mas não são a mesma coisa.

Veja também: O real valor do matrimônio para santa igreja católica


5. Quantos padrinhos a Igreja exige?

A Igreja exige apenas duas testemunhas, ou seja:

um padrinho e uma madrinha
ou
duas testemunhas (independentemente do sexo)

Isso é o mínimo jurídico canônico.

Tudo acima disso pertence ao plano social-cultural, não ao canônico.


6. “Casar no civil” versus “casar na Igreja”: padrinhos diferentes

Outra confusão frequente é pensar que os padrinhos do civil e os padrinhos da Igreja são a mesma coisa.

No casamento civil, as testemunhas:

  • validam o ato jurídico perante o Estado

  • confirmam a identidade dos nubentes

  • não precisam ser católicas

  • não precisam ter vida religiosa

  • seguem regras do Código Civil

No casamento religioso católico, as testemunhas:

  • validam o consentimento sacramental

  • testemunham a forma canônica

  • estão submetidas ao Direito Canônico

  • participam da liturgia do matrimônio

A confusão entre os dois sistemas gera problemas como:

  • escolher testemunhas civis que não podem ser testemunhas religiosas

  • escolher testemunhas religiosas e esquecer dos requisitos civis

  • exigir dos padrinhos uma função que não lhes pertence

Pode ser do seu interesse: Programa Casamento as Cegas e a banalização do sacramento do matrimônio


7. Quem pode ser um dos padrinhos de casamento católico (critério objetivo)

A Igreja não tem uma longa lista de requisitos como no Batismo ou na Crisma, porque o padrinho aqui não é responsável pela educação da fé do casal — é testemunha.

Mas a Igreja exige que as testemunhas tenham:

✔ idade mínima
✔ capacidade jurídica
✔ vínculo social mínimo
✔ idoneidade

E aqui entramos na parte prática:

A testemunha deve ser alguém que:

  • sabe o que está fazendo

  • entende o ato celebrado

  • pode testemunhar se necessário

  • não está impedido civilmente

  • não é parte do casamento

  • não é menor incapaz

Do ponto de vista eclesial, se for um casamento católico sacramental, é preferível que a testemunha também seja católica, mas não é obrigatório como nos sacramentos de iniciação cristã.

É importânte: Direção Espiritual Católica, saiba o que é e como fazer na prática


8. Quem não pode ser padrinho sacramental no casamento católico

Já vimos que os padrinhos sacramentais são testemunhas. Sendo assim, existem algumas situações em que alguém não pode exercer essa função.

Os casos mais frequentes:

(1) Menores de idade sem capacidade jurídica

Testemunha precisa ter:

  • discernimento

  • consciência

  • capacidade civil

Portanto, menores incapazes não podem.

(2) Pessoas que não compreendem o ato

Precisa entender o que está testemunhando. Se não compreende, não testemunha.

(3) Pessoas ausentes ou inaptas para registrar

Uma testemunha deve ter capacidade de dizer, se necessário:

“sim, eu estava lá, vi e ouvi que o consentimento foi dado”.

Se não pode fazer isso, não serve à finalidade.

(4) Pessoas com impedimento sacramental na liturgia

Embora não exista uma lista extensa como no Batismo, há prudência pastoral.
Por exemplo:

  • pessoas vivendo em oposição pública à fé

  • pessoas em estilo de vida escandaloso

  • pessoas que zombam da religião

Não existe previsão canônica formal proibindo, mas há critérios de idoneidade.

(5) Quem não quer assumir a função de ser um dos padrinhos de casamento

Ninguém pode ser obrigado a ser testemunha sacramental.
Isso inclui recusas por motivos:

  • pessoais

  • morais

  • religiosos

  • emocionais


9. Padrinhos de casamento que ajudam na catequese matrimonial

Além da função sacramental, em muitos lugares há um aspecto pastoral interessante: alguns padrinhos passam a acompanhar o casal também no caminho da fé.

Esse costume dialoga com o que o Catecismo ensina sobre o matrimônio como caminho de santificação:

“Os cônjuges cristãos ajudam-se mutuamente a santificar-se na vida conjugal.”
(CIC, 1641)

Se os padrinhos são testemunhas dessa nova vida, faz sentido pastoral que ajudem os noivos a crescerem na parte espiritual.

Isso não é obrigatório, mas é um fruto bonito quando existe.


10. Padrinhos de casamento na cultura brasileira: outra camada importante

No Brasil, a figura dos padrinhos tem uma força social enorme, totalmente distinta da função sacramental.

Culturalmente, eles são:

  • amigos íntimos

  • parentes próximos

  • pessoas que “marcaram” a história do casal

  • referência de relacionamento

  • modelos familiares

  • apoiadores emocionais

  • conselheiros

  • presentes na vida doméstica

E, muitas vezes, também:

  • apoio financeiro (roupas, festa, lua de mel, casa nova)

  • apoio logístico (organização)

  • apoio social (reconhecimento familiar)

Esse costume não é previsto no Direito Canônico, mas é uma expressão cultural robusta.


11. Padrinhos como “honra social”

Entre os brasileiros, ser padrinho de casamento pode significar:

✔ confiança
✔ intimidade
✔ reconhecimento
✔ honra
✔ vínculo familiar
✔ afinidade espiritual

Essa camada social precisa ser compreendida, porque muitos conflitos familiares acontecem aqui.


12. Expectativas sociais que não vêm da Igreja

A Igreja não exige:

❌ presente caro
❌ ajuda financeira
❌ traje específico
❌ participação em festa
❌ status familiar
❌ número exagerado de padrinhos
❌ fotos profissionais
❌ contribuições para lua de mel
❌ apoio material

Tudo isso pertence ao campo cultural.

Separar uma coisa da outra evita muitos sofrimentos e mágoas no processo de preparação matrimonial.


13. Perguntas mais comuns (FAQ real)

Agora vamos responder as dúvidas mais frequentes:

❓ Padrinhos de casamento têm que ser católicos?

Para a função sacramental (testemunha):
não é estritamente obrigatório canonicamente.

Para a função pastoral:
➡ é fortemente recomendado que sejam católicos praticantes, para testemunhar o sentido da vocação cristã.

Para a função social:
➡ totalmente livre.

❓ Pessoas não casadas podem ser padrinhos?

Sim. Não existe exigência de que padrinhos sejam casados.

❓ Divorciados podem ser padrinhos?

Se a função for apenas testemunhal, podem.
Não há impedimento canônico.

❓ Uniões irregulares impedem de ser padrinho?

Não existe proibição formal como no Batismo.
A prudência pastoral aconselha avaliar caso a caso.

❓ Pode ter mais de dois padrinhos de casamento?

Do ponto de vista canônico: não é necessário.
Do ponto de vista cultural: no Brasil pode e é comum.

❓ Os padrinhos assumem os filhos se algo acontecer?

Não. Isso é mito popular. A função é espiritual, não jurídica civil.


14. Critério bíblico sobre os padrinhos de casamento: o matrimônio exige testemunho

O matrimônio não é celebrado sozinho. Jesus celebrou Seu primeiro sinal público num casamento (Jo 2,1-11), evidenciando que:

  • o matrimônio é público

  • tem dimensão comunitária

  • envolve testemunhas

  • envolve família e sociedade

E São Paulo diz:

“Este mistério é grande; digo-o em relação a Cristo e à Igreja.”
(Ef 5,32)

Casar é inserir-se num mistério e numa comunidade — daí a presença de testemunhas.


15. Critério catequético para os padrinhos de casamento: o matrimônio é vocação

O Catecismo reforça que o matrimônio não é apenas escolha romântica, é vocação:

“Os cônjuges cristãos são fortalecidos e consagrados pelo sacramento do matrimônio.”
(CIC, 1638)

Quando um casal vive a fé, ele se torna sinal para os demais.

Daí o valor de padrinhos que sejam:

✔ bons amigos
✔ bons conselheiros
✔ bons modelos
✔ bons cristãos


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16. Conclusão sobre os padrinhos de casamento

Os padrinhos de casamento católico existem em dois níveis:

  1. sacramental — como testemunhas perante a Igreja

  2. social — como amigos e referências do casal

A confusão só existe quando misturamos as duas funções.

O importante é:

➡ no nível sacramental: idoneidade e capacidade
➡ no nível social: afetividade e confiança
➡ no nível pastoral: testemunho e apoio
➡ no nível cultural: honra e vínculo

Quando essas camadas se harmonizam, o casamento ganha ainda mais beleza e força.


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Foto: FreePik

Sobre Rodrigo de Sá

Carioca, nascido e criado no Rio de Janeiro. Católico Apostólico Romano desde sempre. Sou devoto de São Bento e ativo em movimentos da Igreja Católica desde a adolescência, fundei o site Jovens Católicos em 2016 com objetivo de mostrar tudo o que envolve as maravilhas da fé católica. Entre em Nossa Comunidade no Whatsapp Clicando Aqui!

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