Quando se fala em jejum dos vícios, muitos pensam apenas em comida: deixar de comer carne, pular refeições ou reduzir a quantidade de alimentos. No entanto, o Evangelho nos ensina que o jejum cristão é muito mais profundo. Ele toca o coração, os afetos, os apegos e, sobretudo, os vícios que nos escravizam.
Na meditação do Frei Gilson sobre Marcos 2,18-22, somos convidados a compreender o que ele chama de “jejum dos vícios” — um jejum que não se limita ao corpo, mas que transforma a alma.
Como ele mesmo reza no vídeo:
“Dai-me a graça, Senhor, de mortificar os meus vícios.”
Essa súplica resume o verdadeiro espírito do jejum cristão.
1. O Contexto Bíblico: Por Que Jesus Fala Sobre Jejum?
No Evangelho de Marcos, capítulo 2, os fariseus e os discípulos de João questionam Jesus:
“Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, mas os teus discípulos não jejuam?”
Essa pergunta revela uma mentalidade comum da época: o jejum era visto como prática obrigatória, sinal de religiosidade exterior, muitas vezes desvinculada de uma conversão interior real.
Jesus responde com uma imagem surpreendente: a de um casamento.
“Podem os convidados do casamento jejuar enquanto o noivo está com eles?”
Aqui, Jesus se apresenta como o Noivo. Onde Ele está presente, há alegria, vida nova, plenitude.
Veja: Saiba o que é o Jejum Eucarístico e porque Ele deve ser feito antes da santa missa
2. O Jejum Não É Um Fim em Si Mesmo
A resposta de Jesus deixa claro: o jejum não é um fim, mas um meio. Ele só faz sentido quando conduz a algo maior.
Frei Gilson destaca que o problema não está no jejum em si, mas em jejuar sem sentido espiritual, apenas por tradição ou obrigação:
Jejuar sem conversão interior é como tentar colocar vinho novo em odres velhos.
Ou seja, práticas externas sem mudança de vida rompem a experiência espiritual em vez de fortalecê-la.
3. O Que é o “Jejum dos Vícios”?
O jejum dos vícios é a renúncia consciente àquilo que:
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nos afasta de Deus,
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escraviza o coração,
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desordena nossos afetos,
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impede uma vida espiritual madura.
Vícios não são apenas dependências químicas. Eles podem ser:
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vício em redes sociais,
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vício em pornografia,
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vício em bebida,
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vício em jogos,
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vício em orgulho,
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vício em julgamento,
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vício em reclamação,
-
vício em controle.
Como ensina Frei Gilson, o jejum verdadeiro pergunta:
Do que eu preciso me libertar para que Deus reine em mim?
4. “Enquanto o Noivo Está Presente, Não se Jejua”
Essa frase de Jesus não significa que o cristão não deva jejuar. Pelo contrário. Ela significa que o jejum cristão nasce de um relacionamento, não de um peso.
O Frei Gilson explica que o tempo da presença de Cristo é tempo de:
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alegria,
-
intimidade,
-
transformação.
O jejum cristão não é tristeza, mas libertação. Ele não é castigo, mas cura.
5. Vinho Novo em Odres Novos: Conversão Verdadeira
Jesus conclui sua explicação com duas imagens fortes:
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pano novo em roupa velha,
-
vinho novo em odres velhos.
Ambas falam da mesma realidade: não dá para viver o Evangelho com um coração velho.
O jejum dos vícios é justamente isso: preparar o coração para o vinho novo, para a vida nova que Cristo quer derramar.
6. O Catecismo e o Sentido do Jejum Cristão
A Igreja ensina que o jejum:
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fortalece o domínio da vontade,
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ajuda a ordenar os desejos,
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abre o coração à oração,
-
conduz à caridade.
Mas ela também alerta: práticas penitenciais sem amor não agradam a Deus. O jejum cristão sempre caminha junto com:
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oração sincera,
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caridade concreta,
-
conversão interior.
7. O Jejum dos Vícios na Vida dos Jovens
Para os jovens católicos, o jejum dos vícios é especialmente atual. Vivemos em um mundo de estímulos constantes, excesso de informação e pouca interioridade.
Jejuar, hoje, pode significar:
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menos tela, mais silêncio,
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menos comparação, mais gratidão,
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menos impulsividade, mais discernimento,
-
menos ego, mais Deus.
Como diz Frei Gilson em sua oração:
“Dai-me a graça, Senhor, de mortificar os meus vícios, para que eu viva a liberdade dos filhos de Deus.”
8. Jejum, Liberdade e Alegria Cristã
O grande fruto do jejum dos vícios não é sofrimento, mas liberdade. Quem jejua do que faz mal:
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respira melhor espiritualmente,
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reza com mais profundidade,
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ama com mais verdade,
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vive com mais leveza.
O jejum que Cristo ensina conduz à alegria da presença do Noivo, não à rigidez amarga.
9. Como Praticar o Jejum dos Vícios na Prática
Alguns passos simples:
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Identificar o vício que mais afasta de Deus
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Assumir uma renúncia concreta e possível
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Unir o jejum à oração diária
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Praticar caridade no lugar do hábito renunciado
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Pedir a graça de Deus todos os dias
O jejum cristão nunca é solitário. Ele é sempre sustentado pela graça.
Jejum dos vícios segundo a pregação do Frei Gilson
O que é o jejum dos vícios na vida cristã?
É a renúncia consciente a hábitos e comportamentos que escravizam o coração e afastam de Deus, como vícios digitais, pornografia, bebidas, jogos, orgulho ou falta de controle emocional.
Jejum dos vícios substitui o jejum de comida?
Não. Ele complementa. O jejum corporal educa o corpo; o jejum dos vícios transforma o interior. Juntos, ajudam na conversão integral.
Quais vícios mais atingem os jovens hoje?
Excesso de redes sociais, pornografia, dependência de celular, comparação constante, ansiedade, consumo desordenado e falta de silêncio interior.
Como saber de qual vício devo jejuar?
Observe o que mais rouba seu tempo, sua paz e sua oração. O vício é aquilo que você sabe que faz mal, mas tem dificuldade de abandonar.
Jejuar dos vícios é só na Quaresma?
Não. A Quaresma é um tempo privilegiado, mas o jejum dos vícios pode (e deve) ser praticado sempre que necessário para crescer na liberdade interior.
Como praticar o jejum dos vícios na rotina de estudos e trabalho?
Defina limites claros (tempo de tela, horários), substitua o hábito por oração breve, leitura espiritual ou serviço, e peça a graça de Deus diariamente.
Jejum dos vícios ajuda na oração?
Sim. Ao reduzir distrações e apegos, o coração fica mais disponível para ouvir Deus e rezar com profundidade.
E se eu cair e não conseguir manter o jejum?
Recomece sem culpa. O jejum cristão não é perfeccionismo, é caminho de crescimento sustentado pela graça.
Jejum dos vícios é sofrimento?
Não. É cura e libertação. Pode haver esforço no início, mas o fruto é paz, clareza interior e alegria espiritual.
Por que a Igreja incentiva esse tipo de jejum?
Porque a conversão verdadeira começa no interior. O jejum dos vícios ajuda a viver a fé com maturidade, liberdade e coerência.
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Conclusão: Um Jejum Que Cura o Coração
O Evangelho de Marcos e a meditação do Frei Gilson nos ensinam que o jejum verdadeiro não é apenas o que esvazia o estômago, mas o que liberta o coração.
O jejum dos vícios é um caminho de:
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cura,
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maturidade espiritual,
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liberdade interior,
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alegria verdadeira.
Que essa oração nos acompanhe:
“Dai-me a graça, Senhor, de mortificar os meus vícios.”
E que, com o coração renovado, sejamos odres novos para o vinho novo que Cristo quer derramar em nós.