Pessoas narcisistas são um termo muito usado hoje para descrever alguém excessivamente centrado em si mesmo, que busca admiração, manipula relações, tem dificuldade de reconhecer erros e demonstra pouca empatia pelo sofrimento dos outros. Mas, quando olhamos esse tema pela fé católica, é preciso ter equilíbrio: nem toda pessoa vaidosa é narcisista, nem toda pessoa difícil possui um transtorno psicológico, e nem todo comportamento narcisista deve ser tratado como possessão demoníaca.
A Igreja Católica não possui uma doutrina específica sobre o diagnóstico moderno chamado Transtorno de Personalidade Narcisista. Esse campo pertence à psicologia e à psiquiatria. Porém, a fé católica tem uma reflexão riquíssima sobre realidades espirituais que aparecem com frequência em comportamentos narcisistas: soberba, vaidade, amor desordenado de si mesmo, falta de humildade, mentira, manipulação, dureza de coração, ausência de caridade e incapacidade de reconhecer o próprio pecado.
Por isso, este artigo não pretende diagnosticar ninguém. O objetivo é ajudar o católico a entender, à luz da Bíblia Sagrada Católica, do Catecismo da Igreja Católica, dos santos, papas e grandes mestres espirituais, como olhar para o narcisismo sem cair em julgamento precipitado, sem romantizar abuso e sem perder a caridade cristã.
O que são pessoas narcisistas?
Em linguagem comum, chama-se de narcisista a pessoa que parece viver em torno de si mesma. Ela pode buscar atenção constante, sentir-se superior, manipular situações, diminuir os outros, não admitir culpa e transformar qualquer confronto em vitimização.
Na psicologia, o narcisismo pode aparecer como traços de personalidade ou, em casos específicos, como transtorno. Mas esse diagnóstico não deve ser feito por leigos. Apenas profissionais qualificados podem avaliar clinicamente uma pessoa.
Do ponto de vista espiritual, muitos comportamentos associados ao narcisismo se aproximam de vícios morais antigos já conhecidos pela tradição cristã: soberba, vaidade, egoísmo, inveja, mentira e falta de caridade.
Por isso, é importante separar três coisas:
- Traços narcisistas: atitudes de vaidade, necessidade de admiração, arrogância ou manipulação que podem aparecer em diferentes graus.
- Transtorno de personalidade narcisista: condição clínica que exige avaliação profissional.
- Soberba espiritual e moral: pecado ligado ao amor desordenado de si mesmo e à recusa humilde de Deus.
Essa distinção evita dois erros: chamar qualquer pessoa difícil de narcisista e tratar todo comportamento narcisista como se fosse apenas doença, sem responsabilidade moral.
A Bíblia fala sobre pessoas narcisistas?
A Bíblia não usa a palavra “narcisista”, pois esse é um termo moderno. Mas ela fala muito sobre pessoas orgulhosas, soberbas, vaidosas, arrogantes, egoístas, manipuladoras e sem amor verdadeiro.
Homens amantes de si mesmos
“Nos últimos dias sobrevirão tempos difíceis. Os homens serão egoístas, avarentos, orgulhosos, soberbos, blasfemos, rebeldes aos pais, ingratos, ímpios, sem coração…” (2Tm 3,1-3)
Essa passagem é uma das mais fortes para compreender o espírito narcisista. São Paulo descreve pessoas centradas em si mesmas, sem gratidão, sem humildade e sem coração.
Não é preciso forçar o texto para dizer que ele fala de “narcisismo clínico”. Seria exagero. Mas é correto afirmar que ele denuncia uma disposição espiritual parecida com muitos comportamentos narcisistas: amor desordenado de si, orgulho e frieza diante dos outros.
O orgulho precede a queda
“A soberba precede a ruína, e a altivez de espírito precede a queda.” (Pr 16,18)
A soberba cega. A pessoa orgulhosa deixa de enxergar a própria fragilidade. Acha que está sempre certa. Recusa correção. Culpa os outros. Não se arrepende de verdade.
Não fazer nada por vanglória
“Nada façais por espírito de partido ou vanglória, mas que a humildade vos ensine a considerar os outros superiores a vós mesmos.” (Fl 2,3)
São Paulo apresenta a humildade como remédio contra a vanglória. A pessoa narcisista, ao contrário, costuma medir tudo pela própria importância: quer reconhecimento, controle, aplauso e vantagem.
O fariseu e o publicano
Em Lucas 18,9-14, Jesus conta a parábola do fariseu e do publicano. O fariseu se coloca diante de Deus para exaltar a si mesmo. Ele não reza de verdade; ele se admira diante de Deus.
Já o publicano reconhece sua miséria e pede misericórdia.
Essa parábola é central para o tema. O fariseu representa a religiosidade contaminada pela soberba. Ele usa a própria “virtude” para se sentir superior aos outros. É uma imagem muito forte do narcisismo espiritual.
Narcisistas e soberbos são a mesma coisa?
Não são exatamente a mesma coisa.
Narcisismo, no uso moderno, pode descrever tanto traços de personalidade quanto um transtorno psicológico específico.
Existe uma área de contato entre os dois: uma pessoa narcisista pode ser soberba, manipuladora e vaidosa. Mas nem todo narcisismo deve ser reduzido apenas a pecado, porque pode haver feridas emocionais, padrões familiares, transtornos psicológicos e limitações reais.
Ao mesmo tempo, também seria errado dizer que tudo é doença e que não existe responsabilidade moral. Uma pessoa que mente, manipula, humilha, explora ou destrói emocionalmente os outros precisa ser chamada à verdade e à conversão.
O que o Catecismo da Igreja Católica ensina?
A soberba entre os pecados capitais
O Catecismo recorda que a tradição cristã fala dos pecados capitais, chamados assim porque geram outros pecados. Entre eles está a soberba.
A soberba é perigosa porque coloca o “eu” no centro. A pessoa soberba não quer servir. Quer dominar. Não quer aprender. Quer controlar. Não quer se converter. Quer justificar-se.
Quando a soberba se une à vaidade, à mentira e à falta de empatia, ela pode produzir relações profundamente destrutivas.
A humildade é fundamento da oração
O Catecismo ensina que a humildade é o fundamento da oração. Isso é decisivo.
Quem não é humilde não reza de verdade. Pode até falar com Deus, mas não se coloca diante dele como criatura necessitada. A pessoa orgulhosa transforma até a religião em palco de autoafirmação.
Por isso, um dos sinais de cura espiritual é quando a pessoa deixa de se justificar o tempo todo e começa a dizer: “Senhor, tem piedade de mim. Eu preciso mudar”.
A caridade e o respeito ao próximo
A fé católica ensina que cada pessoa possui dignidade porque foi criada à imagem e semelhança de Deus. Portanto, ninguém deve ser usado como objeto de manipulação, controle ou satisfação emocional.
Quando uma pessoa usa outra, mente, humilha, controla, ameaça, isola ou destrói sua autoestima, ela fere a caridade e a justiça.
O amor cristão nunca autoriza abuso.
Quais são os sinais das pessoas narcisistas?
Os sinais abaixo não servem para diagnóstico. Eles ajudam apenas a reconhecer comportamentos que podem indicar traços narcisistas ou relacionamentos emocionalmente nocivos.
1. Necessidade constante de admiração
A pessoa precisa ser elogiada, reconhecida e colocada no centro. Quando não recebe atenção, sente-se ofendida, rejeitada ou injustiçada.
2. Dificuldade de reconhecer erros
Mesmo quando erra claramente, tenta justificar-se, inverter a culpa ou transformar a vítima em culpada.
3. Falta de empatia
Tem dificuldade de se importar sinceramente com a dor do outro. Pode até demonstrar preocupação quando isso favorece sua imagem, mas não por amor real.
4. Manipulação emocional
Usa culpa, silêncio, vitimização, chantagem, elogios exagerados ou ameaças indiretas para controlar as pessoas.
5. Vitimização constante
Mesmo quando machuca os outros, apresenta-se como injustiçada. Nunca é responsável; sempre é incompreendida.
6. Necessidade de controle
Quer decidir, conduzir, vigiar ou controlar o comportamento dos outros. Pode fazer isso no casamento, na família, no trabalho ou até em grupos religiosos.
7. Desprezo disfarçado
Diminui os outros por piadas, ironias, comparações, críticas constantes ou comentários aparentemente “inocentes”.
8. Imagem pública muito diferente da vida privada
Algumas pessoas narcisistas preservam uma imagem externa admirável, mas no ambiente íntimo são duras, frias, controladoras ou agressivas emocionalmente.
9. Incapacidade de pedir perdão de verdade
Quando pede desculpas, muitas vezes faz isso de modo superficial ou condicionado: “desculpa se você se sentiu assim”. Não há arrependimento profundo, apenas tentativa de encerrar o assunto.
Como agem as pessoas narcisistas?
Pessoas com comportamentos narcisistas costumam agir de formas diferentes dependendo do ambiente. Nem sempre parecem arrogantes no início. Às vezes são carismáticas, sedutoras, religiosas, simpáticas e muito convincentes.
No relacionamento afetivo
Podem começar com excesso de atenção, elogios e promessas. Depois, surgem controle, críticas, ciúmes, manipulação, culpa e desgaste emocional.
A vítima pode começar a duvidar de si mesma, pedir desculpas por tudo, sentir medo de contrariar e perder a própria paz.
Na família
Podem usar autoridade, culpa ou dependência emocional para controlar filhos, cônjuges, irmãos ou pais. Às vezes exigem obediência absoluta, mas não oferecem amor maduro.
No trabalho
Podem buscar status, competir de modo desleal, assumir méritos dos outros, culpar colegas e manipular superiores.
Na comunidade religiosa
Esse ponto é delicado. Uma pessoa narcisista pode usar a religião como palco. Pode buscar cargos, reconhecimento, influência, aparência de santidade e controle sobre outras pessoas.
Isso não significa que todo líder firme seja narcisista. Mas existe uma forma de vaidade espiritual que usa a fé para alimentar o ego.
Narcisismo espiritual: quando a fé vira palco do ego
O narcisismo espiritual acontece quando a pessoa usa práticas religiosas para exaltar a si mesma, controlar os outros ou construir uma imagem de superioridade.
Isso pode aparecer em frases e atitudes como:
- “Eu sou mais santo que os outros.”
- “Deus me revelou que você está errado.”
- “Se você discorda de mim, está contra Deus.”
- “Eu sou perseguido porque sou muito espiritual.”
- “Ninguém entende minha missão.”
- “Só o meu grupo é fiel de verdade.”
Jesus combateu duramente esse tipo de religiosidade nos fariseus hipócritas. Eles faziam obras externas, mas buscavam reconhecimento humano e desprezavam os outros.
A verdadeira santidade produz humildade. Quando a religião aumenta arrogância, desprezo e dureza, algo está espiritualmente errado.
Jesus conviveu com pessoas orgulhosas e manipuladoras?
Sim. Nos Evangelhos, Jesus conviveu com pessoas simples, pecadores arrependidos, doentes, pobres, discípulos frágeis e também com líderes religiosos orgulhosos.
Jesus era misericordioso com os pecadores arrependidos, mas muito firme com a hipocrisia, a soberba religiosa e a manipulação da fé.
Ele não confundia misericórdia com ingenuidade. Cristo via o coração humano. Acolhia quem se humilhava e confrontava quem usava a religião para se exaltar.
Isso ensina algo importante: o católico deve ser caridoso, mas não ingênuo.
Os narcisistas podem mudar?
Sim, uma pessoa com comportamentos narcisistas pode mudar, mas essa mudança exige verdade, humildade, graça de Deus, arrependimento sincero, acompanhamento adequado e, em muitos casos, ajuda profissional.
O Evangelho anuncia conversão para todos. Ninguém está fora do alcance da misericórdia divina. Santo Agostinho, por exemplo, passou de uma vida desordenada para uma santidade luminosa.
Mas conversão não é discurso bonito. Mudança real aparece em frutos:
- reconhecimento sincero dos erros;
- pedido de perdão sem manipulação;
- reparação do dano causado;
- aceitação de correção;
- busca de ajuda;
- mudança concreta de comportamento;
- vida sacramental;
- prática da humildade.
Sem esses frutos, a pessoa pode apenas usar palavras religiosas para manter o mesmo padrão de controle.
Narcisismo é pecado?
A resposta exige nuance.
Se estamos falando de um transtorno psicológico diagnosticado, não podemos simplesmente dizer que a condição em si é pecado. A Igreja reconhece que fatores psíquicos podem diminuir a responsabilidade moral em certas situações.
Mas atos concretos como mentir, manipular, humilhar, trair, explorar, abusar, caluniar, controlar e destruir emocionalmente alguém podem ser pecados graves, dependendo da consciência, liberdade e gravidade do ato.
Portanto:
- ter uma fragilidade psicológica não é automaticamente pecado;
- cultivar soberba, mentira e manipulação é espiritualmente perigoso;
- usar os outros como objeto fere a caridade;
- recusar arrependimento endurece o coração;
- a conversão continua sendo necessária.
Existe relação entre narcisismo e ação demoníaca?
É preciso muito cuidado aqui.
A Igreja Católica acredita na existência do demônio e na realidade da tentação. Também ensina que o orgulho é uma das grandes portas espirituais para o pecado. A tradição cristã recorda que a soberba está ligada à queda dos anjos.
Mas isso não significa que toda pessoa narcisista esteja possuída, influenciada diretamente por demônios ou deva ser tratada como “um demônio”.
Essa linguagem é perigosa, injusta e pode gerar medo, ódio e julgamentos precipitados.
O correto é afirmar:
- comportamentos de soberba e manipulação podem abrir espaço para o pecado;
- o demônio tenta todos os seres humanos, especialmente pelo orgulho;
- nem todo problema psicológico é espiritual;
- nem toda maldade humana é possessão;
- discernimentos graves devem ser feitos pela Igreja, com prudência e autoridade competente.
Como lidar com uma pessoa narcisista segundo a Igreja Católica?
Lidar com uma pessoa narcisista exige caridade, prudência e limites. A fé católica não ensina que devemos aceitar qualquer tipo de abuso em nome do perdão.
“Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas.” (Mt 10,16)
Jesus une simplicidade e prudência. O cristão não deve ser malicioso, mas também não deve ser ingênuo.
1. Não tente diagnosticar a pessoa
Você pode reconhecer comportamentos nocivos, mas diagnóstico pertence a profissionais.
2. Estabeleça limites claros
Caridade não significa permitir gritos, humilhações, chantagens, invasão de privacidade ou controle abusivo.
3. Não alimente discussões manipuladoras
Algumas pessoas transformam qualquer conversa em tribunal contra você. Nesses casos, seja breve, claro e firme.
4. Busque direção espiritual
Um sacerdote prudente pode ajudar a discernir o que é perdão, limite, reconciliação e proteção.
5. Busque ajuda profissional quando houver abuso
Relacionamentos emocionalmente abusivos podem causar ansiedade, depressão, isolamento e confusão. Procurar ajuda psicológica não é falta de fé.
6. Reze, mas não seja cúmplice do mal
Ore pela conversão da pessoa, mas não colabore com mentiras, manipulações ou injustiças.
O católico deve se afastar de uma pessoa narcisista?
Em alguns casos, sim.
Se há abuso emocional, violência, manipulação grave, ameaça, destruição psicológica, exploração ou risco à saúde física e mental, afastar-se pode ser um ato de prudência.
Perdoar não significa continuar exposto ao abuso. Rezar por alguém não significa permitir que essa pessoa continue destruindo você.
O próprio Jesus, em alguns momentos, afastava-se de pessoas que queriam prendê-lo, manipulá-lo ou matá-lo. A prudência também é virtude cristã.
O católico deve perdoar pessoas narcisistas?
Sim, o cristão é chamado a perdoar. Mas perdão não é a mesma coisa que reconciliação automática.
O perdão é uma decisão diante de Deus: renunciar ao ódio, à vingança e ao desejo de destruição do outro.
Já a reconciliação exige condições: verdade, arrependimento, mudança, reparação e segurança.
Se a pessoa continua manipulando, mentindo e ferindo, pode não ser prudente retomar a convivência íntima.
Relacionamento com narcisistas: o que a Igreja orienta?
A Igreja valoriza profundamente o matrimônio, a família, o perdão e a reconciliação. Mas também reconhece a dignidade da pessoa humana e não manda ninguém permanecer passivamente em situação de violência ou abuso.
Em um relacionamento afetivo com comportamentos narcisistas, é importante observar:
- há humilhação constante?
- há controle excessivo?
- há isolamento de amigos e familiares?
- há manipulação religiosa?
- há ameaças?
- há violência física, psicológica ou sexual?
- a pessoa reconhece erros ou sempre culpa você?
- há frutos reais de mudança?
Em situações graves, procure ajuda de familiares confiáveis, sacerdote prudente, psicólogo e, se houver risco, autoridades competentes.
Como proteger sua saúde espiritual diante de pessoas narcisistas?
Conviver com manipulação pode enfraquecer a alma. A pessoa começa a duvidar da própria percepção, sente culpa o tempo todo e perde a paz.
Alguns passos ajudam:
- mantenha vida de oração;
- procure a Confissão com frequência;
- participe da Missa;
- não se isole de pessoas boas;
- registre fatos se houver confusão constante;
- busque aconselhamento sério;
- não aceite chantagem espiritual;
- lembre-se de sua dignidade diante de Deus;
- peça a graça da prudência;
- procure ajuda profissional quando necessário.
O que os santos ensinaram sobre orgulho e humildade?
Santo Agostinho
Santo Agostinho ensinou que o orgulho é uma raiz profunda do pecado. Ele próprio viveu uma grande conversão: saiu de uma vida marcada por vaidade, ambição e desordem interior para tornar-se um dos maiores santos da Igreja.
São Bento
São Bento desenvolveu na sua Regra uma verdadeira escola da humildade. Para ele, subir espiritualmente exige descer no orgulho.
Santa Teresinha do Menino Jesus
Santa Teresinha ensina a pequena via: tornar-se pequeno, simples e confiante diante de Deus.
São Francisco de Sales
São Francisco de Sales ensinou a doçura, a humildade e o combate ao amor-próprio desordenado. Ele sabia que muitas vezes o ego se disfarça até em boas intenções.
São Tomás de Aquino
São Tomás trata a soberba como desordem no desejo de excelência. O problema não é desejar crescer no bem; o problema é desejar uma grandeza fora da ordem de Deus, acima dos outros e sem humildade.
O que os Papas ensinam que ajuda a entender esse tema?
Papa Francisco
O Papa Francisco fala frequentemente contra a mundanidade espiritual, a vaidade religiosa e a autorreferencialidade. Essa palavra é muito importante: uma pessoa autorreferencial gira em torno de si mesma.
São João Paulo II
São João Paulo II insistiu na dignidade da pessoa humana. Ninguém deve ser usado como objeto. Em relações narcisistas, muitas vezes o outro é tratado como instrumento de admiração, controle ou utilidade.
Bento XVI
Bento XVI recordou muitas vezes que a verdade e o amor caminham juntos. Sem verdade, o amor vira sentimentalismo. Sem amor, a verdade pode ser usada como arma.
O maior antídoto cristão contra o narcisismo
O maior antídoto cristão contra o narcisismo é a humildade.
Humildade não é baixa autoestima. Não é se odiar. Não é aceitar abuso. Humildade é viver na verdade diante de Deus.
A pessoa humilde sabe que tem dignidade, mas também sabe que não é Deus. Reconhece seus dons, mas sabe que eles são recebidos. Reconhece seus pecados, mas confia na misericórdia.
A humildade cura o coração porque recoloca Deus no centro.
Oração por libertação da soberba e cura do amor-próprio desordenado
Senhor Jesus, manso e humilde de coração, curai em mim todo amor desordenado de mim mesmo.
Livrai-me da soberba, da vaidade, da necessidade de controlar, da manipulação e da dureza de coração.
Dai-me um coração humilde, capaz de reconhecer meus erros, pedir perdão, reparar o mal causado e amar sem usar as pessoas.
Se eu convivo com alguém difícil, dai-me prudência, força, caridade e sabedoria para colocar limites sem ódio.
Que eu nunca confunda perdão com submissão ao abuso, nem verdade com falta de misericórdia.
Jesus, ensinai-me a amar como Vós amais. Amém.
Um Resumo sobre os narcisistas
- A Igreja Católica não possui doutrina específica sobre Transtorno de Personalidade Narcisista.
- A fé católica fala profundamente sobre soberba, vaidade, egoísmo, manipulação, mentira e falta de caridade.
- Nem toda pessoa difícil é narcisista.
- Nem todo narcisismo é possessão ou ação demoníaca.
- Comportamentos narcisistas podem envolver pecado quando há mentira, manipulação, humilhação ou abuso.
- O diagnóstico clínico deve ser feito por profissionais.
- O católico deve perdoar, mas perdão não significa aceitar abuso.
- Em alguns casos, afastar-se é prudente e necessário.
- O maior remédio espiritual contra o narcisismo é a humildade.
- A conversão é possível, mas precisa de verdade, arrependimento, graça e mudança concreta.
Conclusão sobre os narcisistas
A pessoa narcisista, vista pela fé católica, não deve ser tratada como monstro, nem como alguém sem responsabilidade. A visão cristã é mais profunda: todo ser humano possui dignidade, mas todos também são chamados à conversão.
A Igreja não ensina que devemos demonizar pessoas difíceis. Também não ensina que devemos permanecer presos em relações abusivas por falsa caridade.
O caminho católico une verdade e misericórdia. Reza pela conversão do pecador, mas protege a vítima. Perdoa, mas não romantiza abuso. Reconhece a realidade psicológica, mas não ignora o pecado. Fala de combate espiritual, mas sem transformar todo transtorno em possessão.
No fim, o tema do narcisismo nos obriga a olhar também para dentro. Todos nós, em algum grau, precisamos combater o amor desordenado de nós mesmos.
O Evangelho nos chama a sair do centro e colocar Cristo no centro.
Onde Cristo reina, o ego perde o trono. E onde nasce a humildade, começa a verdadeira liberdade.
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Perguntas Frequentes sobre pessoas narcisistas
Qual é o perfil das pessoas narcisistas?
Geralmente é alguém muito centrado em si, que busca admiração, tem dificuldade de reconhecer erros, manipula relações, demonstra pouca empatia e costuma culpar os outros pelos próprios problemas. Isso não substitui diagnóstico profissional.
Quais são os 9 sintomas dos narcisistas?
Entre sinais frequentemente citados estão necessidade de admiração, senso de superioridade, falta de empatia, manipulação, inveja, vitimização, dificuldade de pedir perdão, exploração dos outros e necessidade de controle.
Como agem as pessoas narcisistas?
Podem agir com charme inicial, controle, críticas, manipulação emocional, vitimização, frieza, inversão de culpa e busca constante de reconhecimento.
Quais são os 7 sinais dos narcisistas?
Sete sinais comuns são arrogância, necessidade de atenção, falta de empatia, manipulação, incapacidade de assumir culpa, controle excessivo e desprezo pelos sentimentos dos outros.
A Bíblia fala sobre narcisismo?
A Bíblia não usa a palavra narcisismo, mas fala sobre egoísmo, soberba, vanglória, orgulho, arrogância e amor desordenado de si mesmo, especialmente em textos como 2 Timóteo 3,1-5 e Filipenses 2,3.
Narcisismo é pecado?
O transtorno psicológico em si não deve ser automaticamente chamado de pecado. Mas atos como manipular, mentir, humilhar, explorar e abusar dos outros podem ser pecados, dependendo da consciência e liberdade da pessoa.
Os narcisistas podem mudar?
Pode, mas a mudança exige verdade, humildade, arrependimento, graça de Deus, reparação concreta, acompanhamento adequado e, em muitos casos, ajuda profissional.
O católico deve perdoar um narcisista?
Sim, o católico deve perdoar, mas perdão não significa aceitar abuso, voltar à intimidade automaticamente ou permitir novas manipulações.
É pecado se afastar de pessoas narcisistas?
Não necessariamente. Em casos de abuso, manipulação grave ou risco à saúde física, emocional ou espiritual, afastar-se pode ser um ato de prudência.
Como lidar com pessoas narcisistas segundo a Igreja Católica?
Com caridade, prudência, limites claros, oração, busca de orientação espiritual e ajuda profissional quando necessário. Caridade não significa submissão ao abuso.
Narcisismo é ação demoníaca?
Não se deve afirmar isso de forma automática. A Igreja crê na tentação e na ação do mal, mas nem todo problema psicológico ou comportamento ruim é possessão ou influência demoníaca direta.
Uma pessoa narcisista pode frequentar a Igreja?
Sim. Todo pecador é chamado à Igreja e à conversão. Mas frequentar a Igreja não justifica manipulação, abuso espiritual ou vaidade religiosa.
Existe narcisistas religiosos?
Sim, pode existir uma forma de vaidade espiritual em que a pessoa usa a religião para se exaltar, controlar os outros ou parecer superior. Isso é contrário à humildade cristã.
O que o Catecismo ensina sobre narcisistas?
O Catecismo não usa esse termo, mas ensina sobre soberba, pecados capitais, humildade, caridade, verdade e dignidade da pessoa humana.
Qual é o remédio espiritual contra os narcisistas?
O principal remédio espiritual é a humildade, unida à oração, Confissão, Eucaristia, exame de consciência, caridade e conversão concreta.
Foto: IA