Entenda por que o arrebatamento é protestante e qual é a verdadeira visão da Igreja Católica sobre o fim dos tempos
Entenda por que o arrebatamento é protestante e qual é a verdadeira visão da Igreja Católica sobre o fim dos tempos

Arrebatamento é protestante: visão católica à luz da Bíblia

Filmes, livros e pregações de algumas igrejas protestantes popularizaram a ideia de que, em um momento inesperado, cristãos vão desaparecer: motoristas somem, pessoas evaporam, roupas ficam no chão, e o mundo entra em caos. Essa cena costuma ser chamada de “arrebatamento”.

Mas surge a dúvida no coração do jovem católico:

  • A Igreja Católica acredita nisso?
  • A Bíblia Católica realmente fala desse arrebatamento secreto?
  • O Evangelho de Mateus 24,37-44 confirma essa doutrina?

A resposta é direta:

  • A doutrina do “arrebatamento secreto” é típica de certos meios protestantes, não da Igreja Católica.
  • A Igreja Católica crê, sim, em um encontro definitivo com Cristo na Sua Segunda Vinda, mas não da forma sensacionalista e dividida em fases.

Este artigo vai explicar, de forma fiel à Igreja Católica Apostólica Romana, o que ela crê sobre o fim dos tempos, o que realmente significa “ser levado” em Mt 24,37-44 e qual é a interpretação católica do chamado “arrebatamento”.

Entenda por que o arrebatamento é protestante e qual é a verdadeira visão da Igreja Católica sobre o fim dos tempos
Entenda por que o arrebatamento é protestante e qual é a verdadeira visão da Igreja Católica sobre o fim dos tempos

O que os protestantes chamam de arrebatamento?

Em linhas gerais, a doutrina protestante conhecida como “arrebatamento secreto” ensina que:

  • Jesus viria em duas etapas: primeiro de forma secreta, depois de forma pública.
  • Na primeira etapa, Ele “arrebataria” os salvos para o céu.
  • As pessoas desapareceriam misteriosamente.
  • O mundo passaria por uma grande tribulação sem esses “arrebatados”.
  • Depois, Jesus voltaria novamente para instaurar um reino terreno.

Essa ideia é relativamente recente na história do cristianismo, ligada a interpretações surgidas especialmente a partir do século XIX. Durante quase 1800 anos de Igreja, ninguém falava de arrebatamento secreto.

A fé católica, ao contrário, sempre ensinou:

  • Uma única Segunda Vinda de Cristo, gloriosa e visível.
  • Ressurreição da carne para todos.
  • Juízo final.
  • Novo céu e nova terra.
  • Nenhuma “fuga secreta” para alguns, enquanto o resto sofre.

O que a Igreja Católica crê sobre o fim dos tempos?

A Igreja não nega que haverá um momento definitivo em que os fiéis serão unidos a Cristo.
Mas ela rejeita:

  • a ideia de duas vindas separadas,
  • a noção de um arrebatamento secreto,
  • uma leitura literalista que contradiz o conjunto da fé cristã.

De forma resumida, a visão católica é:

  • Cristo voltará uma única vez, em glória.
  • Todos verão essa vinda.
  • Haverá a ressurreição dos mortos.
  • Os que estiverem vivos serão transformados.
  • Acontecerá o Juízo Final.
  • Então virá a plenitude do Reino de Deus.

Não há sumiços misteriosos. Há uma transformação gloriosa e definitiva.


Mt 24,37-44: o texto bíblico que muitos usam para defender o arrebatamento

Jesus diz:

“Como foi nos dias de Noé, assim será também a vinda do Filho do Homem. Pois, nos dias antes do dilúvio, comiam e bebiam, casavam-se e davam-se em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca; e não perceberam nada, até que veio o dilúvio e os levou a todos. Assim também será na vinda do Filho do Homem.
Então, dois homens estarão no campo: um será levado, e o outro será deixado. Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada, e a outra será deixada.
Vigiai, portanto, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor. (…) Por isso, também vós ficai preparados, porque na hora em que menos pensais virá o Filho do Homem.”
(cf. Mt 24,37-44)

Alguns, ao lerem “um será levado e o outro será deixado”, pensam imediatamente em desaparecimentos físicos.
Mas será que é isso mesmo que Jesus quer dizer?


“Como foi nos dias de Noé”: o contexto é juízo, não fuga

Jesus começa comparando com os tempos de Noé:

  • As pessoas comiam, bebiam, casavam-se, viviam normalmente.
  • Não estavam atentas para Deus.
  • Não levaram a sério o aviso de Noé.
  • Quando o dilúvio chegou, foi julgamento.

Quem foi “levado” pelo dilúvio?
Os que estavam em pecado, despreparados.

Aqui está o ponto:
Jesus usa a imagem do dilúvio para falar de juízo, de separação entre os que estão prontos e os que não estão, não de uma “fuga especial” para salvos privilegiados.


“Um será levado e o outro será deixado”: o que isso significa na visão católica?

Na perspectiva católica:

  • O que é “ser levado”?
    Pode significar ser tomado por Deus, isto é, ser acolhido para a salvação, ou então ser alcançado pelo juízo. A chave é o contexto de vigilância e juízo.
  • O que é “ser deixado”?
    Pode significar ficar de fora da comunhão com Deus.

Não se trata de pessoas sumindo misteriosamente de uma cena cotidiana.
Trata-se de uma separação espiritual e definitiva entre:

  • aqueles que vivem em estado de graça,
  • e aqueles que vivem afastados de Deus.

Jesus está falando do momento em que a vinda do Filho do Homem revelará quem escolheu a luz e quem preferiu as trevas.


O foco de Mt 24,37-44 não é arrebatamento secreto, é vigilância

Repare qual é a conclusão de Jesus:

“Vigiai, portanto, porque não sabeis em que dia virá o vosso Senhor.”
“Por isso, também vós ficai preparados.”

Ou seja:

  • Jesus não está ensinando um cronograma do fim do mundo.
  • Ele está exortando os discípulos à vigilância constante.
  • O objetivo não é gerar curiosidade, mas conversão.

A reflexão do evangelho desse dia não quer que você viva com medo de desaparecer, mas que viva acordado espiritualmente, sem cair na indiferença, no pecado e na falsa segurança.


E 1Ts 4,17? “Seremos arrebatados ao encontro do Senhor”

São Paulo diz:

“Seremos arrebatados, juntamente com eles, nas nuvens, ao encontro do Senhor, nos ares.”

Aqui aparece a palavra “arrebatados”.
Mas a Igreja interpreta esse texto assim:

  • Isso acontece no momento da Segunda Vinda de Cristo, não antes.
  • É um movimento de encontro com o Senhor na Sua glória.
  • Não é um evento secreto, mas ligado à ressurreição dos mortos e ao Juízo Final.
  • “Arrebatados” significa elevados, transformados, glorificados, não sumidos de maneira misteriosa.

É o momento em que os justos são unidos definitivamente a Cristo.


O Catecismo da Igreja Católica sobre o fim dos tempos

O Catecismo ensina que:

  • Cristo virá na glória para julgar vivos e mortos.
  • Antes, a Igreja passará por uma grande provação.
  • Não haverá instalação de um reino terreno de mil anos após a volta de Cristo.
  • Não existe promessa de fuga secreta da tribulação para um grupo privilegiado.

A Igreja rejeita qualquer doutrina que:

  • divida a Segunda Vinda de Cristo em várias etapas,
  • crie expectativas de “escapatória” para alguns,
  • contradiga a unidade da fé apostólica.

Por que o arrebatamento secreto atrai tantos jovens?

Porque:

  • dá sensação de ser “escolhido especial”;
  • alimenta o imaginário com cenas dramáticas;
  • mexe com o medo do futuro;
  • parece oferecer “garantia de escape” do sofrimento.

Mas a fé católica é mais madura e profunda:

  • Cristo não nos promete escapar de todas as tribulações,
  • Ele nos promete estar conosco e nos fortalecer dentro delas.

Ele disse:

“No mundo tereis tribulações; mas tende coragem, eu venci o mundo.”


Então, qual é a visão católica correta sobre “arrebatamento”?

Podemos resumir assim:

  • A Igreja não crê em arrebatamento secreto como fuga da tribulação.
  • A Igreja crê que, na Segunda Vinda de Cristo:
    • os mortos ressuscitarão,
    • os vivos serão transformados,
    • os justos serão unidos a Cristo,
    • acontecerá o Juízo Final,
    • haverá novo céu e nova terra.

Esse “ser tomado”, “ser levado”, “ser arrebatado” é a união definitiva com Cristo, não um “desaparecimento cinematográfico”.


O que Mt 24,37-44 ensina ao jovem católico hoje?

  1. Que a vida não é brincadeira espiritual.
    Como nos dias de Noé, muitos vivem distraídos.
  2. Que a vinda de Cristo será inesperada.
    Não sabemos o dia nem a hora.
  3. Que haverá separação entre os que estão em Deus e os que vivem longe d’Ele.
    Um será levado, outro deixado — não por favoritismo, mas por escolha de vida.
  4. Que o essencial não é prever o futuro, mas viver em estado de graça.
    A verdadeira preparação é conversão diária.
  5. Que o jovem é chamado a viver acordado espiritualmente.
    Isso significa: oração, sacramentos, caridade, vida reta.

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Conclusão: o que deve ficar claro para o jovem católico

  • “Arrebatamento secreto” como é pregado em muitos meios protestantes não faz parte da fé católica.
  • A Igreja não crê em duas vindas de Cristo, nem em desaparecimentos secretos, nem em fuga da tribulação para alguns.
  • A Igreja crê em uma única Segunda Vinda gloriosa, com ressurreição, juízo e encontro definitivo com Cristo.
  • Mt 24,37-44 não é um roteiro de arrebatamento, mas um forte chamado à vigilância, à conversão e à santidade.

No fim, o mais importante não é saber “como será o arrebatamento”, mas como está o seu coração hoje diante de Deus.

Cristo virá.
Não se sabe quando.
Mas a Igreja, com amor, te convida: vive preparado.


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Sobre Rodrigo de Sá

Carioca, nascido e criado no Rio de Janeiro. Católico Apostólico Romano desde sempre. Sou devoto de São Bento e ativo em movimentos da Igreja Católica desde a adolescência, fundei o site Jovens Católicos em 2016 com objetivo de mostrar tudo o que envolve as maravilhas da fé católica. Entre em Nossa Comunidade no Whatsapp Clicando Aqui!

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