Por quê não se deve comer carne na semana santa
Entenda o que é a abstinência de carne na Quaresma, por que a Igreja Católica pede essa prática e como vivê-la com sentido espiritual.

Abstinência de carne na quaresma: O que é, por que a igreja pede

Todos os anos, quando chega a Quaresma, a mesma pergunta aparece sobre abstinência de carne:

👉 “Pode ou não comer carne?”

Mas a abstinência de carne na Quaresma não é apenas uma regra alimentar.
Ela é um sinal espiritual profundo, enraizado na Bíblia Sagrada Católica, vivido pela Igreja desde os primeiros séculos e confirmado pelo Catecismo como parte do caminho cristão de conversão.

Reduzir essa prática a uma simples proibição é perder o essencial.

Neste artigo, você vai entender de forma clara, profunda e fiel à fé católica:

  • O que é a abstinência de carne

  • Por que a Igreja pede essa prática

  • O fundamento bíblico da abstinência

  • O ensinamento do Catecismo da Igreja Católica

  • A diferença entre jejum e abstinência

  • O que santos e Papas ensinam sobre isso

  • Como viver a abstinência hoje, com equilíbrio e sentido

Sem extremismos.
Sem confusão.
Com verdade, fé e profundidade.

Por quê não se deve comer carne na quaresma e na semana santa
Entenda o que é a abstinência de carne na Quaresma, por que a Igreja Católica pede essa prática e como vivê-la com sentido espiritual.

1. O Que É a Abstinência de Carne na Quaresma

A abstinência de carne é uma prática penitencial pela qual o fiel se abstém de consumir carne como sinal externo de:

  • penitência,

  • conversão,

  • união com o sacrifício de Cristo.

Na tradição católica, a carne sempre esteve associada a:

  • festa,

  • abundância,

  • celebração.

Abrir mão dela em determinados dias não é desprezar o alimento, mas renunciar voluntariamente a algo legítimo por amor a Deus.

O Catecismo ensina que:

“A penitência interior do cristão pode exprimir-se de muitas formas. A Escritura e os Padres insistem sobretudo em três: o jejum, a oração e a esmola.”

A abstinência está inserida nesse caminho.


2. Abstinência e Jejum: Não São a Mesma Coisa

Essa confusão é muito comum.

Abstinência

  • Diz respeito ao tipo de alimento

  • Proíbe o consumo de carne

  • Obriga os fiéis a partir dos 14 anos

Jejum

  • Diz respeito à quantidade de alimento

  • Reduz o número de refeições

  • Obriga fiéis entre 18 e 59 anos

Na Quaresma:

São práticas diferentes, mas complementares.


3. A Abstinência de Carne na Bíblia

A abstinência não é uma invenção medieval.
Ela tem raízes profundas na Sagrada Escritura.

3.1 Antigo Testamento: Penitência e Conversão

Na Bíblia, o povo frequentemente renunciava a alimentos como sinal de:

  • arrependimento,

  • luto,

  • pedido de misericórdia,

  • preparação para um encontro com Deus.

O profeta Joel proclama:

“Voltai para mim de todo o coração, com jejuns, lágrimas e gemidos.”

A renúncia externa expressava uma mudança interior.


3.2 Jesus e a Disciplina do Corpo

Jesus não condena a penitência corporal.
Ao contrário, Ele a assume e purifica.

Ele jejua no deserto e ensina:

“Quando jejuardes, não fiqueis com o rosto triste.”

A lógica de Jesus é clara:
👉 a prática exterior só tem valor quando nasce de um coração convertido.

A abstinência cristã segue essa mesma lógica.

Veja também: Existe cristianismo sem cruz na visão da igreja católica


4. Por Que Justamente Carne?

Essa é uma pergunta muito comum.

A carne, historicamente:

  • era alimento nobre,

  • simbolizava fartura,

  • estava ligada a festas.

Renunciar à carne é:

  • um gesto simples,

  • acessível a todos,

  • pedagógico.

São João Paulo II explicava que a penitência:

“Ajuda o homem a reencontrar o domínio de si mesmo e a liberdade interior.”

Não se trata de desprezar o corpo, mas de educá-lo.

Veja: Cuidar da saúde do corpo, a importância para os jovens católicos


5. O Que o Catecismo da Igreja Católica Ensina

O Catecismo afirma que a Igreja estabelece dias e tempos penitenciais, nos quais os fiéis são convidados a:

  • jejuar,

  • abster-se,

  • praticar obras de caridade.

A Quaresma é o principal desses tempos.

O Catecismo deixa claro:

“A conversão interior exige gestos visíveis, sinais e obras de penitência.”

A abstinência de carne é um desses sinais visíveis.


6. Em Quais Dias Não se Come Carne na Quaresma

Na Igreja Católica:

  • todas as sextas-feiras da Quaresma são dias de abstinência de carne

  • Sexta-feira Santa é dia de abstinência e jejum

A sexta-feira, desde os primeiros séculos, é associada à Paixão de Cristo, pois foi nesse dia que Jesus morreu na Cruz.

Abster-se de carne nesse dia é uma forma concreta de:

  • lembrar o sacrifício de Cristo,

  • viver a fé também com o corpo.


7. Quem É Obrigado à Abstinência de Carne

A abstinência de carne é obrigatória para:

  • todos os católicos a partir dos 14 anos

Estão dispensados:

  • pessoas doentes,

  • quem não tem acesso a outra alimentação,

  • situações em que a abstinência seja impossível.

A Igreja é clara:
a lei existe para educar, não para oprimir.


8. O Erro Comum: Substituir por Exagero

Aqui entra um ponto pastoral importante.

Trocar a carne por:

  • banquetes caros,

  • frutos do mar sofisticados,

  • exageros alimentares,

👉 contraria totalmente o espírito da abstinência.

Santo Agostinho alertava:

“A abstinência verdadeira não consiste apenas em mudar o alimento, mas em mudar o coração.”

A abstinência é simplicidade, não troca de luxo.


9. O sentido espiritual da abstinência de carne

A abstinência:

  • não salva por si mesma,

  • não é moeda de troca com Deus,

  • não substitui os sacramentos.

Ela:

  • treina a renúncia,

  • combate o egoísmo,

  • abre espaço para Deus,

  • fortalece a vontade.

Papa Bento XVI ensinava:

“A renúncia voluntária ajuda o homem a redescobrir o essencial.”


10. A Abstinência na Vida dos Santos

São Francisco de Assis

Via a abstinência como:

  • caminho de pobreza evangélica,

  • liberdade interior,

  • confiança total em Deus.

Santa Teresa d’Ávila

Advertia contra exageros:

“Deus não quer sacrifícios desordenados, mas amor verdadeiro.”

São João Paulo II

Recordava que a penitência:

“Não é negação da vida, mas educação para a vida plena.”


11. Como Viver Bem a abstinência de carne hoje

Algumas atitudes simples:

  • Comer com sobriedade

  • Evitar reclamações

  • Unir a abstinência à oração

  • Transformar a renúncia em caridade

  • Oferecer o sacrifício a Deus

A abstinência não termina no prato.
Ela continua nas atitudes.


12. Perguntas Frequentes sobre abstinência de carne na quaresma

Peixe é permitido?

Sim. Peixe, ovos e laticínios são permitidos.

Abstinência é pecado grave?

A recusa consciente e deliberada, sem motivo justo, pode ser matéria grave, pois envolve desobediência à Igreja.

Posso substituir por outra penitência?

Em alguns lugares, o bispo pode permitir substituições fora da Quaresma. Na Quaresma, a abstinência é mantida.


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Conclusão sobre abstinência de carne: Um Pequeno Gesto, Um Grande Sentido

A abstinência de carne na Quaresma não é um detalhe sem importância.
Ela é um sinal visível de uma decisão interior.

É o corpo dizendo o que o coração deseja:

“Senhor, quero voltar para Ti.”

Vivida com fé, equilíbrio e amor, essa prática:

  • educa,

  • purifica,

  • aproxima de Deus.

Que a abstinência não seja apenas uma regra cumprida, mas um caminho real de conversão.


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Sobre Rodrigo de Sá

Carioca, nascido e criado no Rio de Janeiro. Católico Apostólico Romano desde sempre. Sou devoto de São Bento e ativo em movimentos da Igreja Católica desde a adolescência, fundei o site Jovens Católicos em 2016 com objetivo de mostrar tudo o que envolve as maravilhas da fé católica. Entre em Nossa Comunidade no Whatsapp Clicando Aqui!

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