Quando chega o momento da Crisma, surge uma pergunta que gera ansiedade tanto nos jovens quanto nos pais: quem pode ser padrinho de crisma?
E mais importante: como escolher bem?
É muito comum ouvir perguntas como:
-
“Pode ser qualquer amigo?”
-
“Tem que ser alguém da família?”
-
“Precisa ser casado na Igreja?”
-
“Pode ser namorado?”
-
“Precisa estar praticando a fé?”
-
“Pode ser alguém não crismado?”
-
“Pode ser evangélico?”
-
“Pode ser ateu?”
-
“Pode ser uma pessoa ‘boa’, mas que não vai à Igreja?”
-
“E se a pessoa não vive a fé?”
Essas dúvidas aparecem porque o mundo atual transformou o padrinhado em uma espécie de gesto de carinho simbólico, enquanto para a Igreja o padrinho é um ministro auxiliar da fé, escolhido para acompanhar seriamente o crescimento espiritual do crismando.
E é aqui que começamos a diferença essencial:
Para a família, muitas vezes a escolha é afetiva; para a Igreja, ela é espiritual.
O problema surge quando essas duas dimensões se separam.
2. O que é a Crisma e por que exige um padrinho
A Crisma (ou Confirmação) é um dos sete sacramentos da Igreja, completando a iniciação cristã juntamente com o Batismo e a Eucaristia.
A Crisma tem três finalidades principais:
-
confirmar a fé recebida no Batismo,
-
capacitar para testemunhar Cristo publicamente.
O Catecismo da Igreja Católica ensina:
“A Confirmação aperfeiçoa a graça batismal” (CIC, nº 1285)
E mais:
“Pelo sacramento da Confirmação, os fiéis ficam vinculados mais perfeitamente à Igreja” (CIC, nº 1285)
Ou seja, é um sacramento de maturidade espiritual.
Por isso, a Igreja prevê a figura de um padrinho: alguém que ajuda o crismando a crescer na fé, não apenas no dia da celebração, mas ao longo da vida.
Veja também: Mensagens sobre Crisma para afilhados, afilhadas e padrinhos
3. O papel do padrinho de crisma segundo a Igreja
O Código de Direito Canônico descreve assim o papel do padrinho na Crisma:
“O padrinho tem a função de cuidar para que o crismado se comporte como verdadeira testemunha de Cristo e cumpra fielmente as obrigações inerentes a este sacramento.”
(Cân. 892)
Perceba a força desse texto. A função não é:
❌ “apenas estar ao lado no dia”
❌ “participar da foto”
❌ “fazer parte da lembrança”
❌ “prestigiar a família”
mas sim:
✔ garantir que o crismado testemunhe Cristo
✔ ajudar no cumprimento das obrigações da fé
Ou seja: é um papel espiritual e permanente.
O padrinho é um auxiliar da salvação, não apenas um acompanhante cerimonial.
Confira: TOP seleção de lembranças de crisma para jovens católicos
4. Diferença entre padrinho de Batismo e padrinho de Crisma
Embora as funções sejam similares, existem diferenças de enfoque:
No Batismo, o padrinho:
✔ ajuda os pais a educar a criança na fé
✔ substitui simbolicamente os pais na vida espiritual
✔ representa a comunidade no acolhimento da criança
Na Crisma, o padrinho:
✔ acompanha a maturidade da fé
✔ ajuda no testemunho público
✔ fortalece o crismado na vida apostólica
Por isso, o Direito Canônico afirma:
“Convém que o padrinho de confirmação seja o mesmo do batismo”
(Cân. 893 §2)
Isso mostra que existe uma continuidade espiritual entre os sacramentos.
Infelizmente, na prática, quase ninguém sabe disso.
É bom saber: Como saber qual meu santo intercessor católico
5. Quem pode ser padrinho crisma segundo o Direito Canônico
Agora a parte mais objetiva: os requisitos oficiais.
O Código de Direito Canônico estabelece critérios para quem pode exercer esse papel:
“Para ser admitido ao múnus de padrinho é necessário que a pessoa:
1º tenha sido designada por quem vai ser crismado, pelos pais ou por quem os substitui;
2º tenha completado dezesseis anos;
3º seja católico, confirmado, que tenha recebido a Eucaristia e que leve uma vida de acordo com a fé;
4º não seja atingido por nenhuma pena canônica;
5º não seja pai ou mãe da pessoa que vai ser crismada.”
(Cân. 893 combinado com Cân. 874)
Observe dois pontos importantíssimos:
📌 (1) O padrinho deve ser católico praticante
Não basta ser batizado — precisa:
✔ ser confirmado
✔ ter recebido a Eucaristia
✔ viver coerentemente a fé
Isso exclui automaticamente:
❌ ateus
❌ agnósticos
❌ evangélicos
❌ espíritas
❌ pessoas de outras religiões
❌ pessoas que abandonaram a fé
❌ católicos não praticantes
📌 (2) Deve levar uma vida coerente com a fé
Aqui está o ponto que mais causa tensão entre famílias:
Não se trata de “ser bonzinho”, “ser legal” ou “ser querido”.
O Código exige coerência moral, o que inclui:
✔ vida sacramental
✔ vida de oração
✔ evitar escândalo público
✔ vivência dos sacramentos católicos
✔ respeito à doutrina da Igreja
Isso impacta casos como:
-
namorados que coabitam
-
pessoas vivendo união estável sem matrimônio
-
divorciados recasados civilmente
-
pessoas sem prática sacramental
Esse critério não é julgamento moral, mas exigência espiritual para um ofício na Igreja.
6. Critérios espirituais segundo o Catecismo
O Catecismo reforça que os sacramentos pedem responsabilidade espiritual:
“Os sacramentos da iniciação cristã lançam os fundamentos da vida cristã”
(CIC, nº 1212)
E mais adiante:
“A Confirmação torna o cristão capaz de difundir e defender a fé pela palavra e pela ação”
(CIC, nº 1303)
Ora, se a Crisma forma defensores da fé, o padrinho precisa ser alguém que:
✔ conheça a fé
✔ viva a fé
✔ defenda a fé
Não faz sentido indicar como padrinho alguém que não crê, não pratica ou se opõe à Igreja.
Seria como escolher um professor de música que não acredita em música.
Roupa para usar na Santa Missa, veja esse guia completo para jovens católicos.
7. Critérios práticos para escolher bem
Além dos critérios jurídicos e doutrinais, existe o discernimento prático:
O padrinho deve ser alguém que:
✔ seja espiritual e moralmente maduro
✔ incentive a vida sacramental
✔ possa aconselhar espiritualmente
✔ tenha vida coerente
✔ seja acessível e presente
✔ inspire o crismando a amar a fé
Há uma frase simples e objetiva que resume este ponto:
O padrinho deve ser alguém que você quer se tornar na fé.
Se o crismando não pode admirar o testemunho do padrinho, a escolha está errada.
8. Quem não pode ser padrinho de Crisma (impedimentos)
Mesmo que a família ou o jovem goste muito de determinada pessoa, a Igreja estabelece impedimentos objetivos para evitar que alguém exerça um papel espiritual que não pode cumprir.
Os principais impedimentos são:
(1) Não ser católico
Parece óbvio, mas muita gente pergunta:
“Pode ser evangélico?”
“Pode ser espírita?”
“Pode ser ateu?”
“Pode ser de outra religião?”
Resposta: não pode.
O padrinho é um testemunho da fé católica. Se não professa essa fé, não pode testemunhá-la.
(2) Não ter recebido os sacramentos da iniciação
Quem não recebeu:
❌ Batismo
❌ Confirmação (Crisma)
❌ Eucaristia
não pode ser padrinho, porque ainda não completou sua própria iniciação cristã.
(3) Não viver a fé
O Código Canônico é muito claro: precisa levar vida de acordo com a fé (Cân. 874, §1, 3º).
Isso exclui situações como:
-
pessoas sem vida sacramental
-
pessoas em contradição pública com a doutrina
(4) Pais do crismando
Pais não podem ser padrinhos por razão teológica e pastoral: o padrinho é alguém além dos pais, chamado a auxiliar na fé de forma complementar.
(5) Uniões irregulares
Quando alguém vive em situação conjugal contrária ao ensinamento da Igreja, pode causar escândalo público. A Igreja normalmente impede que exerça funções litúrgicas e de padrinho — não por desprezo, mas para não confundir os fiéis.
(6) Menores sem maturidade
Embora o canône diga 16 anos como referência, em muitos locais a Igreja exige maior maturidade. Isso não é formalismo, é prudência.
9. Perguntas comuns sobre os padrinhos de crisma (e respostas claras)
Agora respondemos as dúvidas reais que as famílias têm.
❓ Pode ser namorado(a)?
Em teoria pode, se cumprir todos os requisitos e se houver real maturidade.
Na prática, muitas paróquias desaconselham.
❓ Pode ser tio ou tia?
Sim, desde que seja católico praticante e confirmado.
❓ Pode ser padrinho de Batismo?
Sim — e até convém que seja o mesmo (Cân. 893 §2).
❓ O padrinho de crisma precisa ser casado na Igreja?
Depende:
-
Se é casado apenas civilmente, sem impedimento e sem escândalo → pode
-
Se vive união estável ou convive maritalmente sem sacramento → normalmente não pode
-
Se é divorciado recasado civilmente → não pode
A chave é: vida conforme a fé e sem contradição pública.
❓ O padrinho de crisma precisa ir à missa?
Sim. É impossível testemunhar Cristo sem a vida sacramental.
❓ Pode ser alguém que “acredita em Deus, mas não pratica”?
Não. Não basta crer, é preciso viver a fé.
10. Critério espiritual decisivo: testemunho
Mais importante do que o afeto, a Igreja considera o testemunho.
E testemunho não é:
❌ saber um pouco de religião
❌ gostar de coisas católicas
❌ ter devoção genérica
❌ ser “uma boa pessoa”
Testemunho é:
✔ viver a fé
✔ amar a Igreja
✔ defender a verdade
✔ participar dos sacramentos
✔ obedecer a Cristo
A Bíblia é clara quando diz:
“Sereis minhas testemunhas.”
(At 1,8)
A Crisma forma testemunhas — o padrinho deve ser uma delas.
11. Critério bíblico: acompanhamento na fé
A figura do padrinho remonta à tradição da Igreja primitiva, quando novos cristãos tinham um “sponsor” espiritual que os acompanhava no caminho da fé.
Isso ecoa textos como:
“O amigo ama em todo momento e na angústia nasce um irmão.”
(Pr 17,17)
e também:
“Instruí o menino no caminho em que deve andar; e até quando envelhecer, não se desviará dele.”
(Pr 22,6)
O padrinho de Crisma é chamado a acompanhar, não apenas celebrar.
12. Critério catequético: maturidade da fé
A Crisma supõe maturidade espiritual.
O Catecismo afirma:
“Pelo sacramento da Crisma, somos fortalecidos para difundir e defender a fé.”
(CIC, nº 1303)
Se o crismando precisa ser capaz de defender a fé, o padrinho precisa ser alguém que vive e conhece a fé.
Vale a pena ler: Direção espiritual, saiba sua real importância para os católicos
13. Critério pastoral: ajuda real ao crismando
Além dos critérios doutrinais, existe algo muito concreto:
O padrinho deve ser alguém que ajude o crismando a permanecer católico.
Isso significa:
✔ incentivar a Missa
✔ incentivar a Confissão
✔ incentivar a Comunhão
✔ incentivar a oração
✔ incentivar a vocação (seja qual for)
O que não faz sentido é:
❌ padrinho que leva para longe da Igreja
❌ padrinho que ridiculariza a fé
❌ padrinho que vive contra o Evangelho
Aprenda como fazer o exame de consciência para confissão com o padre
14. Como discernir na prática sobre a escolhe do padrinho de crisma (passo a passo)
Uma forma simples para acertar essa escolha é seguir este roteiro:
1º — Filtrar os impedimentos canônicos
Elimina os que não podem objetivamente.
2º — Filtrar os critérios espirituais
Elimina os que não vivem a fé.
3º — Avaliar a proximidade real do padrinho de crisma
O padrinho deve poder acompanhar, não apenas aparecer.
4º — Considerar a intenção
O padrinho deve querer ajudar na salvação, não apenas aparecer nas fotos.
5º — Rezar
Essa pode ser a parte mais esquecida e mais importante.
15. Como conversar com a família quando há conflito sobre o padrinho de crisma
Muitas famílias querem escolher padrinhos por:
-
carinho
-
tradição
-
compromisso social
-
política familiar
Quando isso entra em choque com a fé, recomenda-se:
✔ calma
✔ clareza
✔ caridade
Uma boa frase pastoral é:
“A escolha do padrinho não é apenas social, é espiritual.”
Isso muda o tom da conversa.
Assuntos cristãos católicos relacionados
16. Conclusão sobre o padrinho de crisma
Escolher o padrinho de Crisma não é um mero detalhe.
É uma decisão que toca:
-
a fé
-
o sacramento
-
a vocação
-
a missão
-
o testemunho cristão
A Igreja não cria regras para dificultar, mas para proteger o sacramento e a alma.
ENTRE PARA O GRUPO JOVEM CATÓLICO NO WHATSAPP
Para receber mais conteúdos sólidos sobre sacramentos, catequese e vida cristã:
👉 ENTRE PARA NOSSO GRUPO JOVEM NO WHATSAPP CLICANDO AQUI!
Foto: FreePik