Por que tarô, astrologia e esoterismo atraem tantos jovens, inclusive católicos? Entenda as causas e o ensinamento da Igreja sobre o tema.
Por que tarô, astrologia e esoterismo atraem tantos jovens, inclusive católicos? Entenda as causas e o ensinamento da Igreja sobre o tema.

Tarô, astrologia e esoterismo: por que atraem tantos jovens, inclusive os católicos?

Estamos vivendo uma nova onda de interesse espiritual entre os jovens. As gerações que cresceram em ambientes seculares, distantes da prática religiosa tradicional, estão redescobrindo a espiritualidade — mas não necessariamente o Cristianismo. Em vez de retornarem à fé cristã, muitos jovens têm migrado para práticas como tarô, astrologia e esoterismo:

  • astrologia,
  • tarô,
  • oráculos diversos,
  • bruxaria pop,
  • adivinhação moderna,
  • leitura energética,
  • terapias holísticas,
  • rituais lunares,
  • cristais,
  • magia “soft”.

Curiosamente, esse fenômeno não ocorre apenas entre jovens sem religião. Cada vez mais, jovens católicos participam desse circuito esotérico. Há católicos que rezam o terço e fazem mapa astral; frequentam a missa e tiram cartas; comungam e consultam horóscopos diários.

A pergunta que surge então é:

Por que isso atrai tanto? E o que a Igreja Católica pensa sobre tudo isso?

Este artigo busca responder a essa questão com profundidade bíblica, catequética e pastoral, evitando caricaturas e preconceitos, mas também não omitindo a clareza da doutrina católica.

Leia também: Nova Era: O que a Igreja Católica acha realmente disso

Por que tarô, astrologia e esoterismo atraem tantos jovens, inclusive católicos? Entenda as causas e o ensinamento da Igreja sobre o tema.
Por que tarô, astrologia e esoterismo atraem tantos jovens, inclusive católicos? Entenda as causas e o ensinamento da Igreja sobre o tema.

2. O fenômeno cultural: por que praticas como o Tarô, astrologia e esoterismo estão crescendo?

Conteúdo do Texto

Há pelo menos cinco fatores culturais importantes:

1) Reencantamento do mundo

O século XX tentou matar Deus com o materialismo.
O XXI tenta recuperar o sagrado — mas sem retornar à fé tradicional.

A juventude não suporta mais o niilismo. Ela quer sentido, mistério, transcendência, sinal, vocação, destino — quer algo que a ciência não responde.

A astrologia, o tarô e o esoterismo oferecem narrativas simbólicas para interpretar a vida.

2) Desinstitucionalização da religião

O jovem contemporâneo rejeita estruturas duras e instituições que exigem:

O esoterismo oferece o oposto:

  • fluidez,
  • autonomia,
  • personalização,
  • ausência de dogmas,
  • espiritualidade “do meu jeito”.

Veja aqui: Quais são os verdadeiros dogmas da santa igreja católica

3) Cultura terapêutica

Vivemos num mundo em que tudo é filtrado pela psicologia.
O jovem usa espiritualidade como:

  • autoentendimento,
  • autocura,
  • autoanálise.

O mapa astral, por exemplo, funciona como uma espécie de espelho terapêutico.

4) Estética e imaginação

O esoterismo moderno vem acompanhado de:

  • símbolos,
  • rituais estéticos,
  • visual moderno,
  • design minimalista,
  • linguagens místicas,
  • playlists etéreas,
  • tatuagens zodiacais.

A imaginação religiosa é seduzida pela estética.

5) Redes sociais influênciam muito em práticas como Tarô, astrologia e esoterismo

TikTok, perfis no Instagram, Pinterest e Twitter transformaram astrologia e tarô em linguagem pop:

Assim, o esoterismo deixou de ser um nicho para virar produto de massa.


3. Por que essas práticas (Tarô, astrologia e esoterismo) atraem jovens católicos?

Aqui precisamos ter delicadeza pastoral. A juventude católica do século XXI está vivendo um fenômeno curioso: possui identidade religiosa cultural, mas fé pouco catequizada.

Quando um jovem conhece a Igreja apenas por:

ele cresce sem:

Resultado: sua sede espiritual não desaparece — mas busca outras fontes.

Além disso, muitos jovens sentem que a Igreja não responde às perguntas que eles têm sobre:

  • destino,
  • propósito,
  • identidade,
  • vocação afetiva,
  • ansiedade,
  • sofrimento,
  • sentido da vida.

A astrologia e o tarô não “curam”, mas respondem, ainda que de modo simbólico e psicológico.


4. O que a astrologia propõe?

Para simplificar:

A astrologia é um sistema simbólico que interpreta:

  • personalidade,
  • destino,
  • eventos da vida,

a partir da posição dos astros no momento do nascimento.

Ela oferece uma narrativa sobre quem você é e para onde vai.

Para o jovem moderno, isso é poderoso porque responde a duas questões profundas:

“Quem sou eu?”
“Por que sou assim?”

E funciona, não porque descreve o real, mas porque interpreta o sentido.


5. O que o tarô propõe?

O tarô se apresenta como um oráculo simbólico que usa cartas para interpretar:

  • situações,
  • decisões,
  • afetos,
  • conflitos,
  • futuros possíveis.

Seu poder está em dois elementos:

✔ sua linguagem arquetípica, cheia de símbolos
✔ sua narrativa terapêutica, que funciona como espelho

O tarô não atrai apenas porque “prevê futuro” — mas porque narra conflitos internos.

Por isso chama atenção de jovens que não encontram espaço para falar sobre:

  • medo,
  • amor,
  • vocação,
  • dor,
  • ansiedade.

Saiba também: O que é o gnosticismo moderno e por que a heresia mais presente nos dias atuais


6. O que o esoterismo moderno propõe?

O novo esoterismo é uma espécie de religião personalizada que combina:

  • cristais,
  • astrologia,
  • tarot,
  • rituais lunares,
  • meditação,
  • magia branca,
  • sincretismo oriental,
  • psicologia,
  • energia,
  • gratidão,
  • universo.

É uma espiritualidade sob medida, onde cada um cria sua própria fé.

Não há dogma, liturgia, nem magistério.
Não há mandamentos, pecado, nem redenção.

A frase que resume essa mentalidade é:

“A espiritualidade é individual.”


7. O que a Bíblia Sagrada Católica diz sobre adivinhação e consulta espiritual (Tarô, astrologia e esoterismo)?

A Bíblia não é neutra sobre práticas de adivinhação, oráculos e consultas espirituais.

Ela reconhece a existência de poderes espirituais, mas não autoriza o homem a acessá-los fora de Deus.

Por isso, as Escrituras se posicionam contra:

  • adivinhação,
  • astrologia religiosa,
  • necromancia,
  • ocultismo,
  • práticas oraculares.

A mensagem central é:

“o homem não tem autoridade para manipular o mundo espiritual.”

Cristo é o único mediador entre Deus e os homens.


8. O que o Catecismo da Igreja Católica ensina

O Catecismo dialoga com essa realidade de modo direto quando trata do Primeiro Mandamento, explicando que recorrer a técnicas de adivinhação e manipulação espiritual é desconfiança na providência de Deus.

Essas práticas não são proibidas por superstição moralista, mas porque:

✔ desviam o coração da confiança em Deus,
✔ atribuem poderes a objetos, técnicas ou entidades,
✔ abrem espaço ao engano espiritual,
✔ substituem Cristo por oráculos.

A fé católica é clara:
Deus não nega futuro — Ele conduz o futuro.


9. Por que essas práticas (Tarô, astrologia e esoterismo) seduzem espiritualmente os jovens?

Além do aspecto cultural e psicológico, há um elemento espiritual mais profundo. O tarô, a astrologia e o esoterismo fornecem o que muitos jovens perderam no mundo secular:

sentido
destino
vocação
mistério
rito
comunidade
simbolismo
linguagem mítica

O jovem contemporâneo não suporta mais a ideia de viver em um universo:

  • aleatório,

  • frio,

  • indiferente,

  • sem teleologia,

  • sem providência.

Mesmo sem saber, ele está com sede de teologia.

A astrologia oferece destino.
O tarô oferece narrativa.
Os cristais oferecem cura.
A magia oferece controle.

Mas todos esses elementos, na fé cristã, são realizados por Cristo:

✔ o destino → Providência
✔ a narrativa → História da Salvação
✔ a cura → Graça e Sacramentos
✔ o controle → Entrega e Confiança

O Cristianismo não nega o desejo — ele o cumpre.


10. O problema teológico: quem governa o mundo espiritual?

A grande questão não é se espíritos existem. A Igreja não é materialista — ela reconhece:

✔ anjos
✔ demônios
✔ santos
✔ almas
✔ céu
✔ inferno
✔ purgatório
✔ comunhão dos santos

O problema é quem governa a relação com o mundo espiritual.

No esoterismo moderno, o ser humano tenta:

  • acessar,

  • manipular,

  • convocar,

  • prognosticar,

o mundo espiritual sem Cristo.

No cristianismo, é sempre:

Cristo quem conduz o acesso ao mundo espiritual.

A diferença é essencial.


11. O problema antropológico: o homem se coloca como mediador

A fé cristã proclama:

Cristo é o único mediador.

O esoterismo moderno, ao contrário, afirma que o próprio sujeito é o mediador:

  • ele interpreta,

  • ele controla,

  • ele molda,

  • ele lê os sinais,

  • ele cria o destino.

É o velho sonho gnóstico:

“conhecereis o segredo e sereis como deuses.”


12. O problema espiritual: a promessa de controle

O coração humano teme o sofrimento e teme a incerteza.
O esoterismo promete reduzir a ansiedade com controle simbólico:

  • “Prever o relacionamento”

  • “Prever o futuro profissional”

  • “Prever o mapa afetivo”

  • “Aumentar energia”

  • “Atrair coisas boas”

  • “Evitar coisas ruins”

A fé cristã não promete controle.
Ela promete sentido — e isso é maior.


13. O problema moral: ausência de conversão

No esoterismo, não existe:

✘ pecado
✘ culpa
✘ arrependimento
✘ conversão
✘ purificação
✘ santidade

Existe apenas:

  • “energia boa”,

  • “energia ruim”,

  • “alinhamento”,

  • “vibração”,

  • “frequência”,

  • “limpeza espiritual”.

Isso é profundamente atraente porque não exige mudança moral.

A fé cristã exige metanoia — transformação radical do coração.


14. O problema teológico: substituição da providência

No Cristianismo:

Deus conduz a história e a pessoa.

No esoterismo:

o “universo” se torna sujeito.

A palavra universo virou uma substituição cultural para Deus.
Essa substituição não é neutra.


15. Como o Catecismo aborda práticas como Tarô, astrologia e esoterismo pastoralmente

O Catecismo não trata o esoterismo como superstição ingênua, mas como desvio de confiança.

O núcleo é:

a fé cristã coloca a confiança em Deus,
o esoterismo coloca a confiança em forças impessoais.

A Igreja vê nisso um perigo porque o coração humano se educa pela confiança:

✔ onde colocas tua confiança, ali está tua religião.

Se a confiança vai para:

  • cartas,

  • signos,

  • astros,

  • cristais,

Cristo se torna ornamento, não Senhor.


16. O olhar bíblico sobre astrologia e oráculos

O Antigo Testamento está repleto de advertências contra:

  • astrologia religiosa,

  • adivinhação,

  • necromancia,

  • consulta a mortos,

  • feitiçaria,

  • oráculos,

  • presságios.

O erro não está no reconhecimento da existência de fenômenos espirituais (a Bíblia reconhece), mas na tentativa humana de governá-los.

O que a Bíblia protege não é a sensibilidade espiritual — é a soberania de Deus.


17. Como a Igreja acolhe os jovens envolvidos nisso

Essa é uma parte essencial.
A Igreja não acolhe jovens dizendo:

Você é um idólatra, pare imediatamente!

Isso não converte ninguém.

O caminho pastoral é:

✔ reconhecer a sede espiritual,
✔ iluminar a sede com Cristo,
✔ ressignificar o simbólico,
✔ oferecer sacramentos,
ensinar as orações,
✔ ensinar discernimento,
✔ ensinar providência,
✔ ensinar combate espiritual,
✔ ensinar o sentido da vida.

A correção deve vir acompanhada de oferta superior.

Cristo não destrói o desejo humano — Ele o cumpre.

Veja: Como se proteger espiritualmente segundo a santa igreja católica


18. O Cristianismo tem alternativa simbólica a práticas como Tarô, astrologia e esoterismo? Sim — a maior de todas

O Cristianismo não é contra símbolos.
Ele os possui em abundância:

O problema não é símbolo — é símbolo sem Cristo.


19. Qual é a alternativa cristã ao esoterismo e práticas como Tarô e astrologia?

A alternativa cristã tem três eixos:

1) Providência

Deus conduz a história. Não o destino cego.

2) Discernimento dos espíritos

A Igreja tem tradição sólida sobre isso.

3) Direção espiritual

O jovem não caminha sozinho.


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20. Conclusão sobre práticas como Tarô, astrologia e esoterismo

O tarô, a astrologia e o esoterismo oferecem:

  • sentido,

  • rito,

  • narrativa,

  • destino,

  • imaginação religiosa.

Mas fazem isso sem Cristo, sem cruz, sem graça, sem sacramentos e sem salvação.

O Cristianismo, ao contrário, não suprime o desejo humano por mistério — Ele o realiza.

O jovem contemporâneo não está fugindo da religião — está fugindo do vazio.

A missão da Igreja, portanto, não é destruir o simbólico, mas batizá-lo em Cristo.


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Foto: FreePik

Sobre Rodrigo de Sá

Carioca, nascido e criado no Rio de Janeiro. Católico Apostólico Romano desde sempre. Sou devoto de São Bento e ativo em movimentos da Igreja Católica desde a adolescência, fundei o site Jovens Católicos em 2016 com objetivo de mostrar tudo o que envolve as maravilhas da fé católica. Entre em Nossa Comunidade no Whatsapp Clicando Aqui!

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