Quando chega o momento de batizar um filho, um afilhado ou um sobrinho, surge a pergunta que causa mais tensão nas famílias do que qualquer outro detalhe da celebração: “Quem pode ser padrinho de Batismo?”
E logo em seguida aparece a segunda:
“Quem não pode ser?”
É comum ouvir de pais, catequistas e até de avós uma série de interpretações divergentes:
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“pode ser qualquer pessoa”
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“tem que ser alguém da família”
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“não precisa ser católico”
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“basta ser uma boa pessoa”
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“tem que ser casado”
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“pode ser evangélico”
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“pode ser padrinho de longe”
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“pode ser o namorado(a)”
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“pode ser dois padrinhos”
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“não pode ser padrinho solteiro”
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“tem que ser praticante”
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“depois de batizar, o padrinho assume a criança se os pais morrerem”
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“o padrinho tem que ser o mais rico para ajudar”
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“o padrinho tem que ser o mais próximo da família”
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“se o padrinho recusar, a criança não pode ser batizada”
Essas frases circulam em praticamente todas as paróquias e catequeses do Brasil e mostram que existe uma grande confusão — tanto teológica quanto prática — sobre o papel dos padrinhos.
A boa notícia é que a Igreja Católica não deixa isso em aberto: ela tem critérios claros, objetivos e documentados sobre quem pode exercer essa missão.
2. Antes de tudo: o Batismo não é um evento social
Para entender o que é um padrinho, é preciso primeiro entender o que é o Batismo.
E aqui já encontramos o primeiro choque cultural.
Para muitos, infelizmente, o Batismo virou um tipo de:
❌ celebração social
❌ rito de passagem cultural
❌ tradição familiar vazia
❌ momento de fotos e lembrancinhas
❌ evento para “não perder o costume”
Mas para a Igreja Católica, o Batismo é algo muito mais profundo.
O Catecismo ensina:
E ainda:
“Mediante o Batismo somos libertados do pecado e regenerados como filhos de Deus.”
(CIC, nº 1213)
✔ infunde a graça
✔ perdoa o pecado original
✔ incorpora o fiel à Igreja
✔ faz nascer a vida nova em Cristo
✔ abre o acesso aos demais sacramentos
Por isso, a Igreja leva essa celebração extremamente a sério.
Se o sacramento é sério, a escolha do padrinho também será.
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3. Então: para que servem os padrinho de batismo?
A função dos padrinhos não é simbólica nem decorativa.
Eles existem por uma razão espiritual real:
“Os padrinhos ajudam o batizado a viver uma vida conforme a fé.”
(CIC, nº 1255)
E o Código de Direito Canônico define:
“O padrinho assiste no Batismo o adulto que se batiza, e com os pais, apresenta ao Batismo a criança; e procura depois que o batizado leve uma vida cristã de acordo com o Batismo e cumpra fielmente as obrigações que ele implica.”
(Cân. 872)
Portanto, um padrinho ou madrinha é:
✔ um guia
✔ um testemunho vivo
✔ um colaborador na salvação
✔ um auxiliar dos pais
✔ um sustentáculo espiritual
Não se trata de um papel social, mas de uma missão eclesial.
Super Dica: O livro Batismo no Espírito, Saúde Mental, do Padre Marcelo Rossi é bom mesmo
4. Responsabilidade espiritual: os padrinhos de batismo não são figurantes
A função dos padrinhos implica responsabilidades que ultrapassam o dia da celebração:
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ajudam a ensinar a fé
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incentivam a oração
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promovem a vida sacramental
-
orientam moralmente
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auxiliam na caminhada espiritual
E se os pais se omitirem na educação religiosa do batizado, o padrinho é chamado a assumir papel de apoio real.
Isso está expressamente previsto no Catecismo:
“A fé precisa do apoio da comunidade dos fiéis.”
(CIC, nº 1253)
O padrinho é justamente a pessoa concreta que representa essa comunidade.
Aprenda também a importância de ter uma direção espiritual segundo a igreja católica
5. Critério inicial: os padrinhos de batismo assumem uma missão de fé
E aqui vem um ponto decisivo: se a função dos padrinhos é ajudar o batizado a viver a fé católica, é absurdo escolher alguém que:
❌ não tem fé
❌ não pratica a fé
❌ não conhece a fé
❌ ou se opõe à fé
Seria o mesmo que escolher um professor que odeia a própria disciplina.
A Igreja não é ingênua. Ela sabe que:
ninguém pode dar o que não tem.
6. Critérios da Igreja para quem pode ser padrinho de batismo
O Código de Direito Canônico (CDC) determina, de forma objetiva, quem pode ser padrinho:
“Para que alguém seja admitido como padrinho, é necessário que:
1º seja designado pelo batizando, pelos pais ou por quem ocupa o seu lugar;
2º tenha completado dezesseis anos de idade;
3º seja católico, confirmado, que já tenha recebido a Eucaristia e que leve uma vida de acordo com a fé;
4º não seja atingido por nenhuma pena canônica legitimamente aplicada;
5º não seja o pai ou a mãe do batizando.”
(Cân. 874, §1)
Esses cinco critérios eliminam de forma clara uma série de confusões, como veremos na parte 2.
7. Base bíblica: o Batismo implica discipulado
O Batismo não é apenas um ritual; ele implica discipulado.
Jesus disse:
O Batismo está sempre ligado ao ensinar e ao observar, isto é, viver a fé.
Se o batizado é chamado a aprender e viver, o padrinho é chamado a ensinar e testemunhar.
8. A Igreja não exige perfeição, mas coerência
Importante notar: a Igreja não exige que o padrinho seja um perfeito santo canonizado.
Exige apenas que seja um fiel coerente.
Coerência = vida cristã real.
A pergunta-chave é:
a vida dessa pessoa ajuda ou atrapalha o batizado a seguir Cristo?
Essa é a régua.
9. Quem não pode ser padrinho de Batismo (impedimentos claros)
Agora chegamos no ponto que mais gera tensão entre famílias: os impedimentos.
Muitos pais escolhem alguém por afeto, mas esquecem que a Igreja exige coerência espiritual.
Pelo Código de Direito Canônico e pela prática pastoral, não podem ser padrinhos:
(1) Não católicos
Isso inclui:
❌ evangélicos
❌ espíritas
❌ judeus
❌ muçulmanos
❌ ateus
❌ agnósticos
❌ adeptos de religiões afro
❌ religiões orientais
❌ nova era/esoterismo
Não é discriminação; é lógica sacramental:
não pode testemunhar uma fé que não professa.
(2) Católicos não confirmados
Quem não recebeu a Crisma não pode ser padrinho porque não completou a iniciação cristã.
(3) Católicos não praticantes
Estes geram polêmica, mas o critério é claro:
não basta ser batizado, é preciso viver a fé.
Se não tem vida sacramental (missa, confissão etc.), não é coerente exercer esse múnus.
(4) Pessoas que vivem em contradição pública com a fé
Exemplos mais comuns:
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vivendo união estável sem sacramento
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coabitando antes do matrimônio
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casado apenas no civil
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situações de escândalo público
Esses impedimentos não são “moralismo”, mas proteção do testemunho.
(5) Pais do batizando
O Código é explícito:
“Não pode ser padrinho o pai ou a mãe do batizando.”
(Cân. 874 §1, 5º)
A função dos pais é outra e não pode ser duplicada.
(6) Menores de idade sem maturidade
Embora o Código indique 16 anos, muitas dioceses exigem mais maturidade real. Isso não é burocracia, é prudência.
10. Diferença entre padrinho de batismo e madrinha de batismo
A Igreja não exige que sejam necessariamente dois.
O Código diz:
“Admita-se um só padrinho ou uma só madrinha, ou um padrinho e uma madrinha.”
(Cân. 873)
Ou seja:
✔ pode ter um só
✔ pode ter um casal homem/mulher
✔ não pode ter duas madrinhas ou dois padrinhos
Isso surpreende muita gente porque diversas paróquias toleram o contrário, mas do ponto de vista canônico não é o ideal.
Veja também: A posição da santa igreja católica sobre a ideologia de gênero e como lidar com isso
11. Diferença entre padrinho de batismo e testemunha
Uma confusão comum é entre:
➡ padrinho (figura sacramental)
➡ testemunha (figura pastoral/social)
Um não católico não pode ser padrinho, mas pode, em algumas situações, ser testemunha — sem função espiritual, apenas com caráter de participação.
Essa distinção evita conflitos familiares.
12. Critério bíblico para o padrinho de batismo: não é sobre amizade, é sobre discipulado
Quando Jesus manda batizar, Ele não diz apenas para “molhar a cabeça”.
Ele diz para:
discipular (Mt 28,19-20)
O padrinho entra exatamente nesse eixo.
Por isso, biblicamente, a pergunta não é:
“quem eu gosto?”
mas sim:
“quem pode ajudar esse batizado a seguir Cristo?”
13. Critério catequético: os padrinhos de batismo ajudam na salvação
O Catecismo afirma que o Batismo incorpora ao Corpo de Cristo e orienta à santidade (CIC, 1267-1270).
Se a vida espiritual é um caminho, o padrinho é companheiro de percurso.
Não faz sentido dar essa função a alguém que:
❌ rejeita a Igreja
❌ abandona os sacramentos católicos
❌ escandaliza os fiéis
14. Critério pastoral: a pergunta mais importante de todas
Depois de cumprir os critérios canônicos, existe uma pergunta final que os pais deveriam fazer antes de escolher:
“Essa pessoa ajudará o meu filho a chegar ao Céu?”
Se a resposta for “não”, a escolha está errada.
15. Problemas familiares: quando o afeto entra em conflito com a fé
Esse é o ponto mais difícil na prática.
Situações típicas:
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avós pressionam
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tios reivindicam
-
família não praticante estranha
-
conflitos de “status”
-
escolha condicionada a presentes
O catequista pastoralmente pode dizer algo como:
“Não estamos escolhendo quem gosta mais da criança, mas quem ajuda mais sua alma.”
É delicado, mas verdadeiro.
Aprenda: Como ser catequista infantil na sua paróquia, precisa fazer alguma preparação
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16. Conclusão sobre o padrinho de batismo
Escolher padrinhos não é escolher enfeites sociais.
É escolher testemunhas da fé.
A Igreja não complica; ela protege o sacramento e a alma do batizando.
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Foto: FreePik